Continuação: Problemas com Windows Vista (Express?) Upgrade da Dell

Continuando com a minha saga (relato completo aqui) do upgrade para o Windows Vista, na última sexta-feira (16 de março) apareceu uma novidade. Liguei lá no call center da Gráfica Bandeirantes (empresa contratada para distribuir o upgrade), como de costume, e me informaram o seguine: “VAI ATRASAR!” (que novidade!).

Eles disseram que um bom lote estava com defeito e estão refazendo o mesmo (será que acredito?). A nova previsão (deles) é para o fim de março. É o fim da picada!

Caso também esteja com problemas, poste o seu relato nos comentários. Seria interessante reunir algum material para uma possível briga (PROCON ou juizado especial) com eles.

Atualização:  Fim da novela “Dell Vista Upgrade” – o meu chegou!

Programadores, estudem, pesquisem!

Vou voltar a bater numa tecla que já bati há algum tempo: programador que evita conhecer a ferramenta que tem em mãos.

Eu sabia que essa era uma prática comum, mas tenho visto cada vez mais casos como esses. Um exemplo prático interessante, em Java (acontece o mesmo em algumas outras linguagens):

public static void main(String[] args) {
    int a = 14;
    int b = 014;

    if (a == b) {
        System.out.println("São iguais");
    } else if (a > b) {
        System.out.println("a é maior que b");
    } else {
        System.out.println("a é menor que b");
    }
}

Simples, não? A questão é: o que vai aparecer na tela quando esse programa for executado?

Enquanto pensa, vou passar o fundo histórico desse exempo. Um programador gostava de deixar o seu código muito bem identado e alinhado. Acho isso muito bom. Porém, ao criar uma lista de constantes, com poucos valores, sendo um deles com três dígitos e os demais com dois, ele acabou fazendo o seguinte:

VALOR1 = 015;
VALOR2 = 061;
VALOR3 = 122;

Quando foi fazer uma comparação, ele percebeu que tinha algo errado. Ele pesquisou e descobriu o que aconteceu e substituiu os zeros iniciais por espaços.

Este é o ponto chave desse post. Eu já não sei quantas noites eu também perdi tentando entender o que deu errado em determinado programa.

Normalemente a solução imediata para o problema aparece rápido (como no caso das constantes com zero acima, basta remover o zero e pronto). Mas o que me desanima nessa área é que boa parte dos profissionais se limita a achar que basta funcionar e o resto que se dane. Não se preocupam em entender o que acontece e acabam sendo bastante limitados.

Muitas vezes demontram total ignorância com relação à ferramenta que usam. Gosto de perguntar: “Por que você fez isso?”. Escolha uma das respostas abaixo:

  1. Ah! Não sei. Não deu erro assim.
  2. Eu estava fazendo do jeito que você me falou, mas deu uns erros e eu resolvi fazendo assim. Agora está funcionando. (A parte boa neste aqui é perguntar pro figura o que estava dando errado).
  3. Cliquei no “Quick Fix” e funcionou. Agora só estou com este outro probleminha aqui.
  4. Peguei esse exemplo na net. É bom, mas está um pouco difícil de adaptar pro nosso programa.

E por aí vai.

Não tem coisa mais irritante do que dar suporte para isso. Usuário não tem obrigação de conhecer o funcionamento interno do sistema, mas o programador? O cara que diz que manda na máquina?

A propósito, se você ainda não se deparou com o problema dos números iniciados em zero em linguagens como Java ou C/C++, esta é uma boa oportunidade de pesquisar um pouco e entender por que a resposta do programa será: “a é maior que b”.

Desrespeito com consumidor: Dell Vista Upgrade

Vou relatar aqui um pouco da minha saga com o Windows Vista Express Upgrade (que de Express não tem nada) oferecido pela Dell.

Em janeiro (2007) adquiri um notebook da Dell. A informação que eu tive é de que aqueles que compraram um computador entre 26 de outubro de 2006 e 15 de março de 2007 têm direito ao upgrade para o Windows Vista. Até aí, ok. Durante o processo de compra (por telefone) fui informado de que naquela semana havia uma promoção onde eu teria direito ao upgrade sem custo. Ótimo. Fechei o negócio.

O computador foi entregue no prazo. Até então, nunca tinha recebido um atendimento tão bom. As informações na Dell eram precisas, entrega no prazo, sem estresse.

Na primeira oportunidade que tive já instalei um openSUSE Linux na máquina, mantendo o dual boot junto com o Windows XP. Para ficar completo faltava apenas o Windows Vista.

Dia 12 de fevereiro liberaram o site DELL Vista Upgrade no Brasil (até então os pedidos deveriam ser feitos pelo site dos EUA com cartão de crédito internacional e em dólar). No mesmo dia recebi um e-mail da pessoa que me vendeu o computador na Dell confirmando a abertura do site.

Fiz o óbvio: fui lá e encomendei o meu upgrade. Na tela de pedido, depois de informar os meus dados, apareceu a seguinte informação na tela:

Valor do upgrade solicitado: [Pré-pago]
Valor do Sedex: [Pré-pago]
Valor total: [Pré-pago]

Isso confirmou a informação da representante no momento da compra (sem custos). Concluí o pedido e logo em seguida recebi um e-mail:

Seu pedido foi processado com sucesso, o DVD será enviado para o endereço abaixo:

Ótimo! Tudo certo. No dia seguinte vejo mais um e-mail na minha caixa de entrada:

==================================
OBRIGADO POR ATUALIZAR SEU WINDOWS
==================================

Prezado(a) RICARDO

Esta é a confirmação de que seu pedido de No. 000.0000000 foi finalizado com sucesso.
Leia essa mensagem com muita ATENÇÃO.

=====================
SEU PEDIDO
=====================

Os itens escolhidos no pedido 000.0000000 feito no dia 02/12/2007 são os seguintes:

Kit Windows Vista Business DELL
Quantidade: 1
Valor/Unidade: R$ 17.07
SubTotal: R$ 17.07

====================
ENDEREÇO DE ENTREGA
====================

Nome do Destinatário: RICARDO
Endereço: ——————————

Serviço de Entrega:R$ 0.00
Total do Pedido: R$ 17.07

Forma de Pagamento: PREPAGO

==============
E N T R E G A
==============

Prazo: de 5 a 11 dias uteis

(logo abaixo aparece um link para acompanhar o pedido)

Ótimo novamente! Tudo certo. Como já era dia 13 de fevereiro, contei os dias úteis. A entrega seria, no máximo, dia 01 de março. É claro que comecei a contar com esse Windows Vista para os meus trabalhos à partir do começo de março.

O problema começa no dia 15 de fevereiro. Recebo um e-mail dizendo:

Prezado Cliente,

Devido a um problema de parametrização de dados entre o fabricante e o nosso site, a rotina de pagamento para o seu caso estava incorreta. Por favor,
efetue o processo de pagamento no link abaixo para efetuarmos a validação da sua atualização.

(link para efetuar o pagamento)

Que pagamento? Não era pré-pago? Achei muito estranho. Mais estranho ainda era quando eu clicava no (mal)dito link. Aparecia:

Pedido já aprovado, em processamento!

A tela de consulta do pedido dizia:

O Seu Pedido 000.0000000 se encontra Aprovado
Aviso de Embarque AUSENTE.

Ué, estava eu devendo ou não? Tinha um e-mail de confirmação e a própria rotina de pagamento já dizia que eu não devia nada! Comecei uma longa trajetória de ligações telefônicas, e-mails e contatos via chat (tanto com a Dell quanto com a tal Gráfica Bandeirantes, empresa contratada pela Microsoft para esse upgrade). E, como sempre, caía na desgraça de ser atendido por alguém mal treinado e mal educado. Ninguém sabe de nada, ninguém pode ajudar. Eles só diziam que eu estava devendo. Quando eu conseguia mostrar para eles que o link para pagamento não funcionava, só faltava eles dizerem: “Se vira, o problema é seu.”

Fiquei gastando interurbano para São Paulo (depois descobri que o telefone aceita ligações à cobrar) e perdendo o meu tempo por causa de um erro deles.

Finalmente, dia 26 de fevereiro, o link para pagamento começou a funcionar. Nesse período até a liberação do link, conversando com outros compradores, vi que, realmente, deveria fazer o pagamento e que a pessoa que me vendeu a máquina não soube se expressar ou se enganou (o que mesmo assim não acho uma boa desculpa). Agindo honestamente fiz o tal do pagamento. Porém, já tinha direcionado diversos trabalhos meus que exigem o Windows Vista para o começo de março, acreditando numa promessa deles. Não era justo eu ser prejudicado por um problema deles.

Conversando com outra atendente do Call Center da Gráfica Bandeirantes, ela me sugeriu que eu enviasse por fax o comprovante do meu pagamento para eles agilizarem o meu pedido. Escrevi um documento explicando toda a situação e enviei o comprovante. Imagino que tenha ido parar no lixo antes mesmo de ser lido por alguém.

Em outra conversa com uma atendente (a mais educada que me atendeu e a mais disposta a me ajudar), ela disse que enviaria um e-mail aos responsáveis solicitando urgência no meu atendimento por causa desses problemas.

No dia 27 de fevereiro recebo um e-mail dessa atendente, copiando uma resposta que teve de alguém da Gráfica Bandeirantes, confirmando a colocação do meu pedido na lista de urgência. Acredito que tenham colocado tal lista de urgência no mesmo lixo do fax.

Continuei tentando contato com a Dell. Afinal de contas, quem me vendeu a máquina e ofereceu o upgrade foi a Dell. Apesar de algumas pessoas prestativas, o que pude perceber nessa empresa é: depois que você paga, você não serve para mais nada. Eles não fizaram nada, absolutamente nada para me atender. Se limitaram a dizer que o novo prazo de entrega é o que valia e que foi tudo um mal-entendido.

E eu, como cliente, consegui ser prejudicado. Estou aguardando o meu pedido. Hoje, se eu clicar no link de pagamento, a mensagem é a mesma que eu recebia (já aprovado, em processamento). A consulta do pedido também. Nada muda. Só a minha percepção da Dell, como empresa, mudou.

Quer um hardware de excelente qualidade? Compre Dell. Quer ter um mínimo atendimento decente pós-venda? Fuja dessa empresa. Procure qualquer outra coisa. A Dell não respeita seus clientes.

Só para constar, estou até hoje (07 de março) aguardando o retorno de uma ligação para a Dell que fiz em 01 de março. Será que devo continuar sentado aqui?

Nota: Antes de me sugerir esquecer tudo isso e instalar Linux (como já vi diversas vezes), lembro que preciso do Windows Vista para alguns trabalhos. E, sim, já instalei Linux na máquina mantendo dual boot.

Atualização: dia 16 de março surgiu uma “novidade”. Acompanhe neste post.

Atualização 2:  Fim da novela “Dell Vista Upgrade” – o meu chegou!

Ajude a manter a Wikipédia no ar – mesmo sem colocar a mão no bolso!

O BR-Linux.org lançou uma campanha para ajudar a Wikimedia Foundation a manter a Wikipédia no ar. Se você puder doar diretamente, é sempre a melhor opção. Mas se não puder, veja as regras da promoção do BR-Linux e ajude a divulgar – quanto mais divulgação, maior será a doação do BR-Linux, e você ainda concorre a um pen drive!

Liberdade?

Interessante:

Defensores do software livre fazem protesto anti-Vista em NY

Pegando uma parte do artigo:

“A campanha do BadVista está empenhada em lutar pela liberdade dos usuários de computadores, opondo-se à adoção do Microsoft Vista e promovendo alternativas de livre software”, diz o coletivo, em seu site oficial.

Funciona mais ou menos assim: “Você deve ser livre, desde que escolha aquilo que eu escolheria.”

Cadê a liberdade que esse povo prega?

Só lembrando: sou usuário de Linux e muitos outros softwares livres, mas esse fanatísmo é, no mínimo, ridículo.

Urgente

Gostei dessa:

Urgente é tudo aquilo que você deixou para a última hora e agora quer que eu faça em tempo recorde.

Mundo ideal vs. mundo real

Como programadores, muitas vezes nos deparamos com as diferenças entre o mundo ideal e o mundo real.

O mundo ideal é aquele onde adquirimos conhecimento de várias coisas novas, estudamos técnicas melhores para se trabalhar, etc.

Mas quando estamos prontos para começar… vem o mundo real.

O mundo real é aquele onde você tem que seguir determinadas regras, mesmo que elas sejam as piores. O conhecimento é nivelado por baixo, já que se você fizer algo muito “avançado”, os demais na equipe não entenderão.

No mundo real ainda enfrentamos o problema de sermos obrigados a trabalhar com coisas muito antigas. Temos a ansiedade de implementar coisas novas, com ferramentas novas, mas estamos presos a tudo aquilo que foi novo há muito tempo.

É a vida!

Faça, mas faça direito!

Vivemos no mudo do “assim tá bom”, no mundo da pregiça, do “vai de qualquer jeito”. É difícil entender por que uma pessoa que tem uma tarefa para cumprir, cumpre pela metade. Será que a pessoa não percebe que se não fizer direito, terá que fazer duas vezes? Ou pior, vai acabar prejudicando todo o processo e ficar marcada pelos erros que comete?

Explico a irritação: muitas vezes precisamos do serviço de outra pessoa para concluir o nosso. Então perguntamos:

– Instalou o programa?
– Sim, tudo certinho.
– Configurou?
– Ah! Acho que não. Só um pouquinho.
(alguns minutos/horas depois)
– Agora sim, instalei e configurei.
– Configurou como?
– Ah, deu “uns paus” lá, mas eu consegui. Não sei como.

Óbvio, quando você vai lá ver, a instalação está uma zona, os arquivos de configuração estão todos bagunçados, é “chmod 777″ para todos os lados e você é obrigado a fazer o seu serviço e o do tranqueira.

Parece que o pensamento é: “não é meu mesmo, do jeito que ficar, está bom”. Ninguém pensa que outro vai usar, ou que ele mesmo vai ter que dar manutenção na pró´ria bagunça depois.

O mesmo acontece quando um preguiçoso precisa de ajuda/suporte. Normalmente (sempre?) o e-mail vem sem qualquer detalhe que possa te ajudar a encontrar o problema.

A dica é: se o cara vai fazer porcaria, não peça. Ou pelo menos não acredite que ele vai fazer direito. E se não tiver outra opção, insista para que a pessoa faça um serviço de qualidade.

Mas quando for fazer determinado serviço, faça direito, para que ninguém precise passar pela frustração que você passa. O tempo para fazer algo bem feito não é muito maior do que o tempo gasto para se fazer porcarias.

Por que não funciona?

Pergunta bastante comum: “Por que essa porcaria não funciona como eu quero?”

É muito comum programadores esbravejarem na frente de uma tela cheia de códigos remendados que deveriam fazer uma coisa e fazem outra. Normalmente a pergunta segue a afirmação: “No outro funciona. Aqui tem que funcionar.”

Na maioria das vezes eu observo (olhando nos meus próprios programas) que falta um pouco de conhecimento ao programador. Muitas vezes ele aprendeu a usar determinada biblioteca ou programa apenas por exemplos. E quando alguma coisa dá errado ele não sabe o que fazer, já que ele não conhece bem a ferramenta.

Na seqüência, muitos se limitam a buscar respostas para a solução imediata do problema no Google. Se não encontra nas três primeiras páginas, parte para algum fórum de discussão relacionado à ferramenta “problemática”. Nem mesmo olha o histórico do fórum e já sai postando:

“Estou desesperado. Essa porcaria não funciona, fica aparecendo uma tela em branco, e eu preciso entregar o programa ainda hoje (humm!). Alguém pode me ajudar? Por favor, envie a solução do problema.”

Xi! Cadê o detalhamento do problema em questão? E a boa vontade de estudar? O que muitos querem é apenas uma solução rápida para os seus problemas, e querem tudo pronto. Quando aparece outro problema parecido e a primeira solução (que alguém de muito boa vontade postou no fórum) não funciona, torna a perguntar no mesmo fórum.

Problemas comuns na programação não aconteceriam se os programadores se preocupassem em conhecer a ferramenta, em estudar o funcionamento dela. E esse é um problema que tenho encontrado em muitas pessoas.

A falta de preocupação com o estudo e a qualidade do que se faz acaba sendo um problema de todos os envolvidos: o cliente acaba recebendo o trabalho com atrasos e com uma qualidade abaixo do esperado (sim, porque o programador encontrou um problema e contornou com uma solução meia-boca). A empresa porque não consegue oferecer serviços melhores (já que pagar treinamento muitas vezes não adianta quando o programador não tem vontade de aprender). E o programador, que sai perdendo por não evoluir. Fica sempre patinando na mesmice e se utilizando de receitas-de-bolo e chunchos.

O estudo e o conhecimento são fundamentais na nossa área, e como diz o ditado: “O saber não ocupa lugar.”

Tristeza

Difícil descrever a tristeza que senti quando ouvi uma história de maldade e covardia. E também o termor que sinto por saber que isso existe.

O que fazer? Continuar a vida sem nunca retroceder em nada de bom que se tenha conquistado. E orar muito.

Fiquei realmente chocado.

Atualização: Procurar entender a situação me ajudou bastante, mas ainda me entristece. Fico meio perdido quanto a que pensar e como reagir. Guerra de nervos, guerra de sentimentos.