[fulano] Pessoal, como faço para instalar o meu modem na distribuição X?
[siclano] Desinstala essa porcaria de distribuição e instale Y. Fiz isso e sou um usuário feliz.
[fulano] Testei Y durante as últimas duas semanas mas não gostei muito. Agora vou tentar a X. Pode me ajudar?
[beltrano] Se não conseguiu usar Y é porque é medíocre.
[siclano] Medíocre e burro.
[fulano] Calma, pessoal, só estou querendo instalar um modem na distro X? Qual o problema?
[beltrano] É que X é uma m. (porcaria).
[fulano] Por quê?
[siclano] Por que vem com um programa proprietário para fazer
beep e isso acaba com a filosofia do software livre.
[terclano] Deixem de ser xiitas. Deixem o rapaz testar a distro X e ver se acha melhor. Tenho usado X e, para a minha situação, é bem melhor que Y.
[siclano] Outro medíocre.
[beltrano] Outro burro.
É óbvio que o diálogo acima está um pouco exagerado, mas creio que muitos vão concordar comigo: isso tem acontecido muito nos fúruns de discussão relacionados ao Linux e ao Software Livre.
O que será que pensa uma pessoa que simplesmente não aceita que outros tenham uma opinião diferente? Por que parecem encarar o uso de uma máquina (no caso, o computador) como uma religião? O termo religião parece bem apropriado, já que suas discussões são chamadas “Guerras Santas”.
Entre as “Guerras Santas” mais comuns que tenho presenciado atualmente são entre os ambientes gráficos (notavelmente KDE x GNOME) e linguagens de programação (guerra mundial: Java, C++, C, Puthon, Ruby e uma interminável lista).
O computador é uma ferramenta indispensável para o trabalho de muitos hoje em dia. E cada um tem as suas próprias necessidades e preferências, algo comum em qualquer grupo (no caso, o grupo aqui é o de usuários de computador).
Aparentemente, pelo “direito” à liberdade que muitos pregam no mundo do Software Livre, estão deixando de lado o direito à livre escolha. Partindo-se do princípio de que o direito de uma pessoa acaba quando começa o de outra, as imposições feitas por muitos (disse muitos, não todos) usuários de Linux fogem completamente do termo “liberdade”.
Minha idéia aqui não é atacar pessoas, indivíduos, mas atacar atitudes que são inaceitáveis dento de uma sociedade livre.
Para constar: Sou usuário de Linux e Softwares Livres há mais de 10 anos. Sempre fui um entusiasta da plataforma e da filosofia envolvida. O que não aceito são as imposições feitas por pessoas que normalmente não são profissionais da área (muitas vezes apenas adolescentes) e, na sua maioria, tratam um software como dogma religioso.
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